sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Francisco: um distribuidor de sorrisos.


Há anos passo de carro ou de moto (agora com menos frequência), na esquina da Av. Republica do Líbano com Rua Antônio Joaquim de Moura Andrade - Itaim Bibi – São Paulo.

Toda manhã, bem cedo e numa época que eu atravessava problemas de ordem pessoal e profissional, invariavelmente o farol fechava e lá ficava eu mergulhado nos meus pensamentos, uma ruga na testa, preocupado, insatisfeito, triste, enfim: um chato.



 

Do lado esquerdo sob um guarda sol ficava (e ainda fica) um cadeirante que não sei precisar quantos anos tem, talvez perto dos 50 – assim como também não sei há quantos anos ele “bate ponto” por lá. Coloco entre aspas, pois ele não vende nada, tipo bala, chiclete, chocolate, nem pede nada, muito menos oferece pra lavar o vidro do carro.
Na verdade ele distribui sorrisos.

É isso aí! Ele te olha e sorri ou acena com entusiasmo desejando um “bom dia”, “vai com Deus” ou coisa assim e sorri...

-  ...e aí garotinho? Tudo beleza? Vai com Deus...

- ...e aí meu irmão? Beleza? Como está?...

E por aí vai, só gentileza, só energia positiva, só sorriso.

Ele me fez pensar: caramba, estou aqui confortável no meu carro, “protegido” do clima, chuva, sol, vento – e a pessoa lá todo dia e não me pede nada, só agradece e sorri. Quem sabe ele peça um sorriso meu, só isso.

Que direito tenho eu de ficar assim “pra baixo” ?

Que direito tenho eu de reclamar? Ele é paraplégico, se locomove com cadeira de rodas!

Sorrio retribuindo, um pouco sem graça no começo.

Dia seguinte aceno e sorrio e todos os dias fico na expectativa de reencontra-lo só para receber a benção de um sorriso.
 
 
 Sorrisos são assim, nem tão perfeitos do ponto de vista estético, nem tão brancos como a moda exige, mas distribuídos com sinceridade, com carinho, com amor, e fazem a diferença no dia de alguém que precisa, e todos precisamos...

Hoje tomei coragem e parei a moto ao seu lado, e depois de anos de “amizade” perguntei seu nome: Francisco.

Peço licença para uma foto explicando o por que. E dá-lhe gentileza e sorriso.

Falo sobre minha devoção a São Francisco. Ele continua sorrindo e explica que na religião dele não se adoram santos nem imagens, mas não importa, pois o que conta é a fé, conclui.

Francisco é um distribuidor de sorrisos, de sinceridade, de gentileza, de força e de fé.
 

Passa alguém e brinca com ele: “Vai queimar a foto!...” Ele rí e acena. Mais um amigo que passa.

Gratidão Francisco, pelo sorriso ofertado, pela sabedoria transmitida, pela simpatia e entusiasmo que você proporciona.  

A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria.

Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.

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