O que recebi, o que sou e o que deixo
Meus
pais me ensinaram sobre honestidade com poucas palavras e muitos exemplos.
Suas
atitudes me mostraram o valor da ética, da responsabilidade pelas nossas
escolhas e a maneira como elas moldam a nossa vida.
Meus
irmãos também fizeram parte dessa formação, nas experiências compartilhadas e
nos aprendizados que a convivência nos proporcionou.
Meu
pai era carinhoso, embora às vezes austero.
Em
seu olhar, eu reconhecia o amor e a admiração que tinha por mim.
Minha
mãe, com seu amor, sua doçura e sua presença, também foi essencial na
construção de quem sou.
Cada
um, à sua maneira, deixou marcas profundas em minha vida.
Hoje
compreendo melhor os esforços e as dificuldades que meus pais enfrentaram para
me proporcionar uma formação profissional.
Havia
naquele sacrifício algo de sagrado: o cuidado com o futuro de um filho. Apesar
das dificuldades, o que deixavam transparecer era a satisfação de poder me
oferecer essa oportunidade.
Desde
cedo, incentivaram meus estudos. Estudei em escolas públicas, das quais guardo
boas lembranças e uma formação que marcou meu caminho. E, ao lado dos meus
irmãos, aprendi também sobre partilha, diferenças, vínculos e pertencimento.
Gosto
de pensar que essa base familiar me ajudou a reconhecer e acolher boas
amizades.
Ao
longo da vida, encontrei pessoas que contribuíram para meu crescimento
emocional, intelectual, religioso e político. Sou grato por esses encontros e
por tudo o que aprendi com eles.
Espero
que essa herança, recebida dos meus pais e enriquecida pela convivência com
meus irmãos, tenha encontrado expressão naquilo que procurei — e ainda procuro
— transmitir às minhas filhas e aos meus netos, enquanto a vida me permitir
aprender, lembrar e compartilhar.
Confesso
que, em alguns momentos, sinto tristeza e me pergunto se consegui transmitir o
que considero essencial.
Diante
de certas situações, a dúvida se transforma em culpa.
Ainda
estou aprendendo a compreender que meu papel é oferecer amor, exemplo e
orientação, respeitando também os caminhos e as escolhas de cada um.
Errei
muitas vezes. Mas, mesmo entre erros e acertos, o amor e o respeito pela minha
família sempre estiveram presentes.
É
junto dela que hoje encontro minha maior realização.
Trabalho
menos do que gostaria. Amo o que faço, e nem sempre é fácil lidar com a
distância entre o quanto desejo realizar e o quanto consigo.
O
cansaço e o desânimo me desafiam. Ainda assim vou seguindo, cuidando,
aprendendo e procurando fazer o melhor que posso, com as forças de cada dia.
Quando
olho para o caminho percorrido, reconheço quanto dos meus pais e dos meus
irmãos vive em mim.
E
desejo que, à minha maneira, algo de tudo o que recebi siga adiante, no amor
que compartilho com minhas filhas e meus netos.

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